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riscos_e_rabiscos

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À Porta Fechada!

 

Não há nada como terminar uma semana de trabalho com um desfecho inesperado. É isto que dá sabor à vida!

 

Dia de aulas, último dia da semana, aulas leves e divertidas porque a brincar também se aprende e não são só os putos que gostam de brincadeira, aqui a teacher também gosta!

O meu primeiro ano chegou atrasado pois houve torneio de futebol, e a equipa das florinhas ia participar. Aproveitei para trocar impressões com algumas colegas. Já sabem que mal entro no colégio vou dar uma beijoca a todas as salas.

 

Mal entrei na secretaria, deparei logo com um problema de desajuste de contas com o qual não tinha nada a ver. Pirei-me dali logo.

Quando subi ao primeiro andar deparei-me com a M. em pânico, pois o avô de um aluno nosso tinha-a apanhado em flagrante a dar duas palmadas no braço do neto. Nada de especial. Foram aquelas palmadas para indicar que o puto se devia despachar. O avô compreendeu e deu razão à professora mas a sensação de culpa acaba por ser terrível. Não tenho feitio pra isso mas que o puto às vezes merece 1 palmada mas no rabo, merece. Enfim!

 

Depois encontrei a G., a famosa defensora dos mini-delinquantes. Agora digam-me lá… tenho cara de padre? Ou de confessionário? Todas elas vêm ter comigo para desabafar. Agradeço imenso a confiança e eu sou um túmulo mas às vezes não me apetecia saber…

Mais elogios aos mini-delinquentes, queixas das outras professoras e utilização, da minha parte, de toda a minha diplomacia para lidar com estas coisas.

 

Fui dar aulas ao 3º ano, que chegou também atrasado por causa do torneio de futebol. Até se portaram bem, tendo em conta a excitação natural depois dos jogos de futebol.

Assim que saio da aula do 3º ano, deparo-me com um grande espectáculo – o 4º ano tinha feito asneira de novo! Greeeeat!

 

Vejo a S. zangadíssima à porta da sala, tentando abri-la. Aproximo-me de uma educadora que estava juntamente com a turma para me acercar do assunto, e ela conta-me que alguns alunos se fecharam à chave dentro da sala.

Afastei a turma para um corredor anexo para evitar mais excitação, enquanto a S. tentava resolver a situação. Finalmente, abriram a porta e foi tudo seguidinho até ao director sem um pio. A S. parecia uma “sargenta” e, parece-me que esta turma só percebe esta linguagem.

 

Entrei para a sala e comecei a dar aula, Passado um pouco, entram os mini-delinquentes prontos a perturbar o resto da aula. Mandei começar a trabalhar e é quando um deles me diz que não tem ali o material. Autorizei que saísse para o ir buscar e, não é que o mal-educado me manda a porta contra a parede fazendo um grande estrondo? Cortei logo o mal pela raiz. A todos. Esse pegou nas coisinhas e foi de castigo para a sala de estudo. Os outros não tinham autorização sequer para mexer os lábios a não ser que eu pedisse.

Já estou tão calejada que nem me aborreci com isto. Continuei com o bom-humor com que me sentia.

 

O resto da aula correu bem e eles trabalharam. Segunda-feira é teste e eu vou rir-me imenso, de certeza. Costuma ser sempre assim porque eles não têm métodos ou hábitos de estudo e de trabalho. Os resultados podiam ser óptimos.

 

Gostaram? Digam lá que a minha vida não é cheia de animação?! E eu… eu não quero outra coisa! Ahahahah!

 

 

 

 

Crime and Punishment

             

Estava a ser um dia tão bonitinho – exceptuando a parte dos espirros matinais – até chegar ao meu último tempo lectivo. Hoje foi dia de festa…

 

Comecei o dia tão bem, tranquilamente, e até apanhei uns chuviscos na cabeça para afastar as ideias negativas.

Arranjei-me toda – material e indumentária a vestir – e arranquei para a escola depois de almoço.

 

Dois dedos de conversa com as minhas colegas e distribuição de beijos pelos miúdos até chegar a minha hora de começar. Correu tudo bem até chegar ao último tempo.

Cheguei à sala, depositei as coisas, a minha colega abandonou a sala e a minha rotina começa. Quer-se dizer, a muito custo pois os miúdos estavam horríveis, mas lá começou. Abertura de lição, lista de chamada, verificação do homework, rever a matéria dada para confirmar se ficou alguma coisa naquelas moléculas e eis que acontece mais uma situação espectacular.

 

Mandei o A. tirar as coisas da mochila - como se não fosse autónomo – para começar a trabalhar, 15 minutos passados do início da aula. Este só funciona assim. Só falta eu ir lá escrever por ele, mudar as folhas, etc.

Assim que tirou o caderno da mochila, chamou-me com uns péssimos modos, como se estivesse a chamar um cão… só faltou assobiar!

Chamei-lhe a atenção e disse-lhe que não era nenhuma animal para me chamar assim. É então que se dá a catástrofe…! Ouve-se na sala alguém dizer “é quase…”

 

- Ok! Pára tudo, ninguém se mexe! Quem foi que disse isto?! - Silêncio de cortar à faca… Os cobardes serão sempre cobardes!

- Ai ninguém se acusa? C. vai chamar o director!

- Ó teacher não…!

 

Obviamente fiz ouvidos de mercador. O director chegou já informado da situação. Entrou com um ar raivoso e exigiu que o cobarde se acusasse ou então iriam ficar sem intervalo até ao fim do ano. Mas a palavra cobarde diz tudo, certo? É preferível os colegas pagarem as favas por aquilo que não fizeram do que o cobardolas assumir aquilo que fez.

 

O director ficou especado a observá-los – não deve ter gostado nada de ver que passado 1 minuto eles se estavam a c*g*r para ele –à espera de ouvir uma resposta. Chamou à atenção de alguns deles e depois informou-os que só sairiam dali quando os pais os viessem buscar. Caras de pânico, em geral.

A mim, mandou-me sair pois estava na minha hora.

 

Então, o que acharam disto? Serão estes meninos um espectáculo como diz a professora titular, ou são todas as professoras (AECs, sala de estudo, intervalo, etc.) que estão erradas? Se as rédeas tivessem sido puxadas desde o 1º ano as coisas seriam assim? O que irá acontecer à turma do 1º ano em que ela vai pegar? Transformar-se-ão em mini-delinquentes? A ver vamos de quem é o mal…